7.12.13

Eu voltei do Pará há 4 meses, mas ainda não tinha tido coragem de editar as fotos e montar esse post. A bem da verdade é que aconteceu tanta coisa nesse tempo que fiquei com um certo cansaço. Fiquei doente, fui assaltada, tive uma alergia forte no olho e morri de saudade de casa. E não tem forma melhor de começar esse post dizendo: Belém me fez pensar na diversidade e em como o Brasil pode ser considerado realmente "mil Brasis". Belém é cheia de encanto. E cada minuto lá foi apreciado, com um misto de fascinação e um misto de estranhamento.  É uma cidade muito diferente de tudo que eu estava acostumada. Dizem que viajar é se deparar como o novo e conhecer novas culturas, certo? Mas eu realmente não imaginei tanto. Tudo é muito diferente, o ritmo é outro.





 
Quando eu pensava em Amazônia logo me vinha a mente o Amazonas, Acre, Roraima, mas nunca pensei em Belém, nunca pensei no Pará. Acho que esse é um estado um tanto quanto injustiçado nesse ponto, pois pouco sabemos sobre ele e pouco ele sabe sobre nós. Esse estranhamento cultural e geográfico se dá de tantas formas que visitar Belém foi como conhecer um outro país. Eu nunca me senti tão diferente e tão distante. Por isso voltar para casa foi delicioso, o que não significa que uma parte de mim não tenha ficado em meios aqueles rios monstruosos.

O motivo da minha viagem foi um evento acadêmico, por isso acabei passando em torno de 7 dias na cidade. Eu poderia ter ido para outros lugares nos arredores, mas algumas coisas me impediram de explorar tanto. A primeira delas é que fui assaltada em frente a uma delegacia que sequer quis fazer o registro da ocorrência. Perdi meus documentos, meu dinheiro e precisei passar 1 dia inteiro no banco para tentar resolver a situação antes de voltar para casa. A segunda situação é que toda vez que eu pensava em entrar em um daqueles barcos para ir até ilhas vizinhas eu tinha um certo ataque de pânico. Tudo era tão rústico e um tanto quanto ~precário~ que eu tinha a sensação que o barco iria desmontar no meio do rio e eu ia morrer afogada. Por isso acabei adiando várias vezes até o dia de ir embora, então já não dava mais tempo mesmo. Por isso fiquei apenas com as memórias do que conheci, um pouco embaralhadas com as experiências negativas e um certo medo que me acompanhou por quase toda a minha estadia na cidade.





O fato de ter tido algumas experiência negativas e me sentido tão desamparada em Belém não significa que não haja lugares maravilhosos. O Mangal das Garças é um exemplo disso. Um parque ecológico que preserva muitas espécies da região amazônica, inclusive um borboletário. O fato de eu ter pavor de lagarta e ter entrado em um borboletário merece destaque. A inocente aqui fez o favor de armar um escândalo saindo correndo por todo o parque assim que se deparou com a primeira lagarta empalhada na parede. Acho que é uma experiência que denota bem porque me senti tão diferente na cidade, natureza e eu nem sempre somos boas amigas.

Esse parque fica localizado na região do centro histórico de Belém que também é fascinante. Prédios coloridos com uma certa arquitetura clássica decadente e cheia de musgos tem um charme próprio. Soma-se isso a museus incríveis com histórias e personagens que não chegam até o outro extremo do país também foi algo memorável. O acesso a cultura em Belém é bastante amplo, não pagamos para entrar em quase nada e achamos muitas coisas maravilhosas.


 

O meu lugar favorito na cidade foi o Mercado ver o peso. Eu já sou apaixonada por um mercado popular, mas assim, praticamente a céu aberto e com polpa de fruta sendo vendida a R$1,00, não dá para comparar. Tudo é absurdamente maravilhoso. O cheiro, os sons... Todas as especiarias da Amazônia sendo oferecidas por preços ridiculamente baixos. Cerâmicas então? uma piada. Barato que faz até pensar quem está sendo tão explorado para um produto estar a um preço tão acessível.

Questionamento à parte, cheguei a ir no Ver o peso umas duas vezes e gostaria de ir novamente muitas outras. De tudo que vivi essa é a experiência que mais vai me deixar saudade, além da simpatia das pessoas que em toda parte me acolhiam com um belo sorriso no rosto.


Falando da comida local, que é de longe o ponto mais favorável de todos, tenho que dizer que é deliciosa. Tacacá, maniçoba, Tucupi, bolo de tapioca... Tem tanta coisa diferente e tantas texturas/sabores ímpares que em uma semana seria impossível apreciar tudo. O meu prato favorito foi o Tacacá - uma espécie de sopa de camarão com caldo de mandioca e uma folha verde que não me recordo o nome. De forma geral a comida é bastante suave e creio que agrada grande parte dos paladares. É uma gastronomia baseada em peixes e folhas, pois é o abundante na região, sem temperos fortes e com bastante mandioca.



A aquitetura de Belém é grandiosa. Você não espera muito isso da cidade, mas vai encontrar lindas janelas, cada chão de madeira polida e lustres glamourosos. Não sei se é devido a presença dos rios, mas o contraste dessa imponência com musgos e um clima altamente úmido é interessante. Me dez pensar em tantas coisas. Sobretudo naquela hora sagrada que chove todo santo dia, sem exceção.



Para encerrar, sinto que vou precisar voltar a Belém ainda muitas vezes. Sem dúvida é uma grande aventura. Por isso eecomendo a todos a visita desde que estejam preparados. preparados para encontrar o desconhecido, comidas gostosas, um povo acolhedor e acima de tudo, uma natureza que te engole. Afinal, a Amazônia é a maior floresta do mundo e isso não é por acaso.

20.2.13


No mês passado, eu e o Bruno tivemos a oportunidade de conhecer pela primeira vez um pouco desse lugar maravilhoso que é o nordeste do Brasil. Fomos para um evento acadêmico na Universidade Federal da Paraíba e obviamente que entre uma palestra e outra, demos um jeito de conhecer João Pessoa e alguns municípios nos arredores, onde nos prometeram lindas praias e um pouco mais do modo de vida típico paraibano. Foi uma experiência deliciosa e surpreendentemente familiar para nós, dias que valem esse registro e as memórias eternas em nossos corações.



A começar pela capital João Pessoa, onde ficamos hospedados e pudemos descobrir muito mais da cidade, tenho que dizer que não senti grande diferença no modo de vida das pessoas. É uma grande cidade, com uma certa infraestrutura, comércio e praias. Lá vivenciamos experiências muito familiares e em alguns momentos nem era possível sentir que se estava de fato ~ viajando.  Claro que alguns costumes nos foram estranhos, mas de uma forma geral a cidade nos foi bastante confortável.







A coisa mais bonita da cidade é a praia principal com vista para grandes prédios. É uma cena muito bela de se ver, porém um pouco decepcionante na prática. A praia principal da cidade não é tão limpa e gostosa como de alguns municípios nos arredores e também não tem muita infraestrutura de comércio. Para quem de alguma forma está acostumado como as principais cidades litorâneas paulistas é uma grande choque pensar que faltam quiosques, sorveterias e feirinhas, por exemplo, que poderiam movimentar a cidade e deixar tudo mais "badalado". A verdade é que não se trata de comparar os locais em termos de melhor ou pior, mas foi decepcionante para mim, porque gosto muito do clima de cidade de praia justamente por esse movimento, então foi no mínimo uma experiência bem diferente.



O centro da cidade é bastante histórico e foi uma visita bem gostosa, principalmente porque estava tudo bem cuidado e limpinho. Prédios coloridos em meio a uma arquitetura mais clássica tem bastante a cara do Brasil. A única coisa negativa que pudemos vivenciar foi a questão da violência, como nos relataram que a cidade tem altos indicies de roubos e assaltos, pudemos observar isso afetando o cotidiano na prática, pois todo o centro funcionava por horários bem reduzidos e muitos comércios eram literalmente a portas trancadas.

Essa questão de portas trancadas foi a única coisa que realmente nos chocou. Por exemplo, teve uma vez que nos fomos em uma pizzaria que nos foi recomendada e tudo estava fechado. Presumimos que não estava funcionando e  já estávamos indo embora, quando uma pessoa abriu a porta e nos convidou para dentro, onde tinham dezenas de pessoas jantando. Logo ao entrar e sentar em nossa mesa observamos o garçom se dirigir até a porta e tranca-la novamente. Ficamos literalmente trancados dentro de um restaurante que funcionava normalmente. Ao questionar o garçom dessa prática ele nos disse que era para evitar roubos, que eram muito frequentes na cidade. Não sabemos até que ponto isso se dá de fato, mas a verdade é que encontramos em muitos aspectos da cidade o reflexo de uma certa insegurança.








Já para conhecer outros municípios da cidade pegamos um certo trem que mais parecia um trem da morte. Bonitinho, todo colorido, mas os vagões eram bastante velhos e deficitários. Ao chegar no município de Conde e Cabedelo,  achamos as praias mais paradisíacas e encantadoras, onde finalmente ficamos  impressionados e pudemos enfim nos sentir como turistas em uma grande viagem.




O município de Conde fica ao sul e abriga as praias mais naturais e lindas da Paraíba. Quer dizer, pelo menos foi o que nos disseram, e pessoalmente não tivemos como discordar. A cor do mar era tão vibrante que ofuscava nossa vista. Uma areia fina e quase branca que era deliciosa de pisar. Lindas pedras, restaurantes rústicos... um verdadeiro cenário de filme. Acho que a coisa mais gostosa foi entrar em uma espécie de piscina natural, que nada mais é que o encontro do rio maceiozinho com o mar na praia de Tabatinga. Isso porque o rio com sua água doce em temperatura ambiente contrastava com a água do mar salgada e extremamente gelada. Dava para ter várias sensações e emoções em um único espaço-tempo. Foi a melhor lembrança de toda viagem.

A lembrança mais negativa também ocorreu no mesmo espaço, provando que tudo tem um lado bom e um lado não tão bom assim. O mar em si era bastante diferente do que estamos acostumados, com muitas algas e bichos marítimos. Para quem gosta, maravilha, para que não gosta - o que é meu caso - um verdadeiro choque. Entramos muito pouco na água, até porque o mar estava bastante agitado também. Tivemos um infeliz episódio de quase morte, pois fomos caminhando pela praia sem perceber que a maré estava subindo e quando notamos já não podíamos mais voltar pela areia. Tivemos que voltar por pedras super escorregadias e cheias de bichos como escorpiões. Quase caímos várias vezes e não tinha ninguém para nos ajudar. Sem dúvidas aprendemos que natureza requer habilidade de estar na natureza e que esses rolês roots são meio que demais para nós.







Foi também em Conde a nossa refeição mais deliciosa da viagem. Comemos um peixe assado com fritas, sopa de caranguejo com cerveja e limonada, em um restaurante que ficava literalmente em cima do mar.  Aquela vista paradisíaca, comida simples brasileira... não tem como dar errado.


Cabedelo, uma cidade que fica ao norte da capital, foi uma visita rápida e bastante tímida. Estava um tempo nublado e tínhamos apenas 4 horas antes de irmos embora, então deu para explorar muito pouco. Porém foi um lugar que amamos muito. A praia lá era deliciosa, muito diferente do sul. Estava mais tranquila, não era tão selvagem (em termos de bichos e plantas), então podemos curtir bastante.

Em nossa última refeição na Paraíba levei o Bruno para comer comida típica nordestina. Carne de bode, baião de dois, galinhada, mungunzá... Como neta de nordestinos desde pequena estive habituada a comer a comida típica do nordeste, porém honestamente eu nunca gostei, porque é tudo muito forte para o meu paladar e não fazia menor questão de experimentar novamente. De toda forma o bruno precisava ter essa experiência então fomos em um restaurante de bairro roots, daqueles que dá para entrar na cozinha para ver a dona cozinhando aqueles caldos cheios de gorduras e temperos em panelas de quase meio metro de altura. Obviamente que eu só belisquei um pouco do prato do Bruno, porque honestamente não consigo encarar essa comida. Porém o Bruno adorou, então foi uma experiência bastante satisfatório, afinal nenhuma viagem se faz sem explorar o lado da culinária, pois acredito que a gastronomia é uma parte bastante importante da cultura de um povo.

Que essa semana vai deixar saudade, com certeza. Mas maior que a saudade é a experiência que trazemos conosco de dias lindos vivenciando uma cultura que é tão próxima de nós, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam.

Prazer, Jess! Depois de tantos blogs, registrar e compartilhar se tornou parte da minha forma de ver o mundo, por isso mantenho o hábito de escrever em diferentes urls por aí. Atualmente vivo em São paulo, Brasil e estou sempre em busca do que possa me inspirar.

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