20.2.13


No mês passado, eu e o Bruno tivemos a oportunidade de conhecer pela primeira vez um pouco desse lugar maravilhoso que é o nordeste do Brasil. Fomos para um evento acadêmico na Universidade Federal da Paraíba e obviamente que entre uma palestra e outra, demos um jeito de conhecer João Pessoa e alguns municípios nos arredores, onde nos prometeram lindas praias e um pouco mais do modo de vida típico paraibano. Foi uma experiência deliciosa e surpreendentemente familiar para nós, dias que valem esse registro e as memórias eternas em nossos corações.



A começar pela capital João Pessoa, onde ficamos hospedados e pudemos descobrir muito mais da cidade, tenho que dizer que não senti grande diferença no modo de vida das pessoas. É uma grande cidade, com uma certa infraestrutura, comércio e praias. Lá vivenciamos experiências muito familiares e em alguns momentos nem era possível sentir que se estava de fato ~ viajando.  Claro que alguns costumes nos foram estranhos, mas de uma forma geral a cidade nos foi bastante confortável.







A coisa mais bonita da cidade é a praia principal com vista para grandes prédios. É uma cena muito bela de se ver, porém um pouco decepcionante na prática. A praia principal da cidade não é tão limpa e gostosa como de alguns municípios nos arredores e também não tem muita infraestrutura de comércio. Para quem de alguma forma está acostumado como as principais cidades litorâneas paulistas é uma grande choque pensar que faltam quiosques, sorveterias e feirinhas, por exemplo, que poderiam movimentar a cidade e deixar tudo mais "badalado". A verdade é que não se trata de comparar os locais em termos de melhor ou pior, mas foi decepcionante para mim, porque gosto muito do clima de cidade de praia justamente por esse movimento, então foi no mínimo uma experiência bem diferente.



O centro da cidade é bastante histórico e foi uma visita bem gostosa, principalmente porque estava tudo bem cuidado e limpinho. Prédios coloridos em meio a uma arquitetura mais clássica tem bastante a cara do Brasil. A única coisa negativa que pudemos vivenciar foi a questão da violência, como nos relataram que a cidade tem altos indicies de roubos e assaltos, pudemos observar isso afetando o cotidiano na prática, pois todo o centro funcionava por horários bem reduzidos e muitos comércios eram literalmente a portas trancadas.

Essa questão de portas trancadas foi a única coisa que realmente nos chocou. Por exemplo, teve uma vez que nos fomos em uma pizzaria que nos foi recomendada e tudo estava fechado. Presumimos que não estava funcionando e  já estávamos indo embora, quando uma pessoa abriu a porta e nos convidou para dentro, onde tinham dezenas de pessoas jantando. Logo ao entrar e sentar em nossa mesa observamos o garçom se dirigir até a porta e tranca-la novamente. Ficamos literalmente trancados dentro de um restaurante que funcionava normalmente. Ao questionar o garçom dessa prática ele nos disse que era para evitar roubos, que eram muito frequentes na cidade. Não sabemos até que ponto isso se dá de fato, mas a verdade é que encontramos em muitos aspectos da cidade o reflexo de uma certa insegurança.








Já para conhecer outros municípios da cidade pegamos um certo trem que mais parecia um trem da morte. Bonitinho, todo colorido, mas os vagões eram bastante velhos e deficitários. Ao chegar no município de Conde e Cabedelo,  achamos as praias mais paradisíacas e encantadoras, onde finalmente ficamos  impressionados e pudemos enfim nos sentir como turistas em uma grande viagem.




O município de Conde fica ao sul e abriga as praias mais naturais e lindas da Paraíba. Quer dizer, pelo menos foi o que nos disseram, e pessoalmente não tivemos como discordar. A cor do mar era tão vibrante que ofuscava nossa vista. Uma areia fina e quase branca que era deliciosa de pisar. Lindas pedras, restaurantes rústicos... um verdadeiro cenário de filme. Acho que a coisa mais gostosa foi entrar em uma espécie de piscina natural, que nada mais é que o encontro do rio maceiozinho com o mar na praia de Tabatinga. Isso porque o rio com sua água doce em temperatura ambiente contrastava com a água do mar salgada e extremamente gelada. Dava para ter várias sensações e emoções em um único espaço-tempo. Foi a melhor lembrança de toda viagem.

A lembrança mais negativa também ocorreu no mesmo espaço, provando que tudo tem um lado bom e um lado não tão bom assim. O mar em si era bastante diferente do que estamos acostumados, com muitas algas e bichos marítimos. Para quem gosta, maravilha, para que não gosta - o que é meu caso - um verdadeiro choque. Entramos muito pouco na água, até porque o mar estava bastante agitado também. Tivemos um infeliz episódio de quase morte, pois fomos caminhando pela praia sem perceber que a maré estava subindo e quando notamos já não podíamos mais voltar pela areia. Tivemos que voltar por pedras super escorregadias e cheias de bichos como escorpiões. Quase caímos várias vezes e não tinha ninguém para nos ajudar. Sem dúvidas aprendemos que natureza requer habilidade de estar na natureza e que esses rolês roots são meio que demais para nós.







Foi também em Conde a nossa refeição mais deliciosa da viagem. Comemos um peixe assado com fritas, sopa de caranguejo com cerveja e limonada, em um restaurante que ficava literalmente em cima do mar.  Aquela vista paradisíaca, comida simples brasileira... não tem como dar errado.


Cabedelo, uma cidade que fica ao norte da capital, foi uma visita rápida e bastante tímida. Estava um tempo nublado e tínhamos apenas 4 horas antes de irmos embora, então deu para explorar muito pouco. Porém foi um lugar que amamos muito. A praia lá era deliciosa, muito diferente do sul. Estava mais tranquila, não era tão selvagem (em termos de bichos e plantas), então podemos curtir bastante.

Em nossa última refeição na Paraíba levei o Bruno para comer comida típica nordestina. Carne de bode, baião de dois, galinhada, mungunzá... Como neta de nordestinos desde pequena estive habituada a comer a comida típica do nordeste, porém honestamente eu nunca gostei, porque é tudo muito forte para o meu paladar e não fazia menor questão de experimentar novamente. De toda forma o bruno precisava ter essa experiência então fomos em um restaurante de bairro roots, daqueles que dá para entrar na cozinha para ver a dona cozinhando aqueles caldos cheios de gorduras e temperos em panelas de quase meio metro de altura. Obviamente que eu só belisquei um pouco do prato do Bruno, porque honestamente não consigo encarar essa comida. Porém o Bruno adorou, então foi uma experiência bastante satisfatório, afinal nenhuma viagem se faz sem explorar o lado da culinária, pois acredito que a gastronomia é uma parte bastante importante da cultura de um povo.

Que essa semana vai deixar saudade, com certeza. Mas maior que a saudade é a experiência que trazemos conosco de dias lindos vivenciando uma cultura que é tão próxima de nós, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam.

Prazer, Jess! Depois de tantos blogs, registrar e compartilhar se tornou parte da minha forma de ver o mundo, por isso mantenho o hábito de escrever em diferentes urls por aí. Atualmente vivo em São paulo, Brasil e estou sempre em busca do que possa me inspirar.

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