5.9.18

Florença... aquela cidade encantadora que faz você se sentir como um artista em pleno século XVI em busca de algum tipo de inspiração cotidiana para sua nova obra fantasticamente genial. Não é difícil pensar porque tantas mentes brilhantes viveram e passaram pelas terras italianas, é uma cultura que inspira o real e o que importa e por isso é tão encantadora! 🌼  Esse post inaugura os relatos da trip pela Itália e espero com isso compartilhar a minha visão e experiência sobre esses dias floridos. Mas antes de começar, acho importante ressaltar que o farei com toda a sinceridade possível, porque viajar é maravilhoso mas isso não significa que perrengues e dificuldades não tenham existido. Meu objetivo é falar da experiência completa, assim dá para sentir como realmente foi estar lá, da forma menos idealizada possível 😊



Quando eu digo que Florença foi o destino que eu menos amei na viagem causo um certo espanto na pessoa com quem estou dialogando. Mas verdade seja dita, minha passagem por Florença foi permeada de uma sucessão de aspectos "difíceis" e acho que isso impactou a minha sensação de estar ali ~ como um todo. Para entender, nós chegamos em Milão para nos hospedar na casa de familiares e logo no 2º dia de viagem pegamos um ônibus em direção a Florença para iniciar nossa mini-trip rumo ao sul da Itália. Foi portanto nosso primeiro destino e o mais difícil deles, afinal passamos o dia todo na cidade sem hotel e sem banho, para pegar o próximo ônibus as 03h da manhã do outro dia. Foram cerca de 26horas na cidade e apesar de já ter vivido ~experiências mochileiras~ em outros tempos, não tínhamos noção do sufoco que seria ficar esse tempo todo na rua em pleno verão europeu/aquecimento global. Sério gente, não foi fácil.

Calor, sede, cansaço. Não havia espaços na cidade para se sentar e descansar. A gente só andava e andava. Os parques não tinham sombra, literalmente ficamos com o sol em nossas cabeças o tempo todo. Cada água custava 2 euros, então façam as contas, foi mais ou menos uns mil reais de água nessa viagem porque essa ideia de ter fonte gratuita da cidade é uma loucura, a água tinha gosto de esgoto. Não me entendam mal, a cidade é linda. Mas a sensação era de estar atravessando alguma espécie de deserto do saara e tudo ao nosso redor tinha um cheiro bastante desagradável. Por isso não é de se espantar que minha percepção tenha sido um tanto alterada e que talvez em outras épocas e estações do ano eu pudesse mesmo ter amado. Mas por ora, eu fiquei um pouco traumatizada.





Em Florença basicamente comemos água. Era tanto calor que não tínhamos vontade de comer, então era água e essa soda de limão que virou a nossa favorita na Itália inteira. Eita treco bom e refrescante. O ponto positivo da Itália é que muitas coisas artificiais são proibidas, então a comida tem sabor de verdade e tudo parece muito saudável (menos a água, porque deus, como as pessoas vivem com aquela água? é péssima). Ah e claro que provamos gelatos, muitos... embora eu não goste muito de gelato! hahaha pois é, aquele bem chata né? Não gosto de sorvete a base de leite então não é uma coisa que eu colocaria na minha lista de preferências da vida. É gostosinho, mas trocaria fácil por um frutare... 😂



 
 




Não fizemos nenhum roteiro prévio porque pelo tempo que tínhamos sabia que não dava para ter muitas experiências. Por isso nossa passagem por Florença foi basicamente andar e tirar fotos. Porém conhecemos a cidade praticamente toda, os principais pontos turísticos e locais mais charmosos.




A verdade é que Florença também é lugar maravilhoso para se fazer um roteiro cultural. Visitar museus, observar a arquitetura e a natureza... Lá é possível encontrar obras maravilhosas do renascentismo, livros fantásticos, principalmente para quem gosta de pintura, astronomia... Na minha opinião passar por Florença e não aproveitar esses pontos é meio que um desperdício. Provavelmente por isso que ficamos com uma sensação de incompletude. Creio que em uma próxima visita eu planejaria algo mais focado nesse ponto, para sentir o verdadeiro espírito da cidade, que é o desenvolvimento da arte e cultura.









A noite quanto a temperatura baixou passeamos pela cidade e foi bem gostoso. A comida de rua, as luzes dos restaurantes, é bem romântico. Nos acabamos optando por ir no supermercado e fazer um pic-nic (o que foi uma excelente ideia porque tivemos noção de preço e variedade). Compramos queijos, pães e frutas deliciosas (tipo amora e framboesa) e comemos na escadaria da estação de trem. Acho que esse é um clichê europeu né? não podíamos perder essa experiência e foi uma forma ótima de encerrar nosso passeio.

importante: Não foi nenhum pouco fácil achar na cidade lugar para carregar o celular. Ficamos o dia inteiro sem bateria e sofremos para achar banheiro também. Isso ressalta o quanto Florença é difícil para quem vai como mochileiro, então tem que se preparar.


E para encerrar é importante reforçar que a cidade é sim maravilhosa. A minha opinião é que você vá com condições de desfrutar a cidade. Não acho que vale a pena ir de mochileiro, com peso nas costas e sem lugar para descansar, tomar um banho e aproveitar o clima. Florença é slow, pede um vestido florido de seda, um chapéu de palha com flores, um jantar a luz de velas em alguma ruela de pedra... Florença também pede dinheiro, é uma das cidades mais maravilhosas para se comer e comprar coisas artísticas e  artesanais. Porém precisa ter recursos, tem que se planejar. Também é importante dizer que tudo isso são fragmentos da minha percepção pessoal. O Bruno, por exemplo, amou  demais a cidade, mesmo tendo acordo com os pontos que eu citei acima. Pessoas distintas tem gostos diferentes e isso impacta nas memórias registradas e por isso que viajar é algo tão particular. Florença não foi meu destino favorito, mas pode ser o seu. Vale demais a visita e se considerar os pontos levantados, provavelmente você possa ter uma experiência melhor que a minha, ainda mais encantadora e impactante! 🌻

28.8.18

Faz um pouco mais que uma semana que voltamos da nossa trip na Itália e há tanto para ser dito que as palavras até se interpolam enquanto eu escrevo esse post. São tantas emoções e memórias que ressignifica-las através de um texto em um blog se apresenta enquanto um desafio altamente provocador, me instigando a encontrar a expressão exata que representa todo o conjunto de sentimentos que envolveram essa minha primeira experiência internacional. E como o objetivo de regressar com esse blog é justamente aceitar o desafio de registrar as vivências cotidianas com palavras, começo hoje essa série de postagens sobre nossa trip de 8 dias pela Itália, incluindo um roteiro de 5 cidades e o desafio minimalista que foi viajar por boa parte do percurso com apenas uma mochila nas costas.

Então gostaria de começar dizendo que essa foi minha primeira viagem internacional e também a primeira vez que entrei em um avião. Acerca disso, acho importante ressaltar o quanto acho engraçado pensar em como uma coisa tão inacessível até tempos atrás é para a nossa geração uma experiência quase universal. Ignorando um pouco o contexto ~classe média sofre~ sempre me senti meio marginalizada por nunca ter tido essa experiência, porém hoje vejo que na verdade sou grande privilegiada por ter essa oportunidade no auge dos meus 27 anos. É uma questão de perspectiva. Voar foi algo que me fez refletir muito sobre perspectiva e sobre como nosso universo cotidiano pode nos parecer muito grande, mas que na realidade, visto do alto, é minúsculo e até insignificante. Tudo lá no alto perde uma certa importância e a gente meio que percebe que damos muita importância para um espaço tão pequeno de terra. No demais, viajar é realmente delicioso. O contato com uma outra cultura, uma outra língua, é fascinante. Para mim serviu de forma muito impactante como um intercâmbio de perspectivas político-sociais, das quais eu nem esperava. Foi algo tão forte e determinante que as raízes disso ainda estão sendo maturadas para que em breve possam dar frutos. Sinto que voltei uma pessoa melhor, determinada a me engajar com muitas coisas da minha realidade e convidada a sair de uma estagnação profunda que estava vivenciando nos últimos anos.

Na verdade, sobre essa quebra de paradigmas, sinto que desenvolvi realmente um novo olhar sobre o mundo. Para uma pessimista convicta como eu é estranho pensar que estou vivendo uma fase meio Poliana. A vida tem me parecido divertidamente desafiadora e tudo ganhou um tempero resolutivo delicioso. É como se as coisas que antes me causavam vontade de sentar em frente a TV e desligar da realidade fossem o motivo da minha existência no aqui e agora. E é um grande clichê né? Como se de repente eu tivesse mesmo que ir para fora para apenas descobrir que tudo que eu preciso está aqui dentro da minha realidade.

Viajar é mais do que a visão de pontos turísticos, é a mudança que acontece, profunda e permanentemente, no conceito sobre o que é a vida.
- Miriam Beard


Com isso eu dou um fechamento para esse primeiro post chegando no ponto que vai dar um tom para os meus relatos sobre a Itália. Que ela é maravilhosa, creio que ninguém tem a menor dúvida. Mas o que eu realmente queria compartilhar com vocês é um pouco dessa transformação profunda que eu vivi ao cruzar esse oceano, que me fez enxergar a vida com mais propósito e me fez voltar para o Brasil com um senso de pertencimento tão grande. Já diria Quintana, "viajar é trocar a roupa da alma", então fico com essa conclusão que a minha roupa estava mesmo precisando ser trocada e que bom, que agora estou limpinha e cheirosa.

19.8.18

Que saudade de escrever, que saudade de postar. Nos últimos meses eu refleti muito sobre o papel dos blogs na minha vida e cheguei a cogitar não mais ter esse espaço. Mas depois de tantos anos, esse hábito é tão forte que achou um jeito de encontrar seu lugar. E aqui estou eu, mais uma vez, mais um blog e meia dúzia de palavras que gostaria de registrar.

Assim como fotos. Sem muito propósito. Fotos bonitas, ideias legais, experiências... Como esse dia em que coloquei pela primeira vez esse sapatinho que achei em um brechó. Tão gostoso, tão estiloso. Eu tenho ido bastante à brechós. Tenho visitado bastante São Paulo. tenho cozinhado mais, vivido mais. Fui até para Itália. É eu acho que um certo ciclo da minha vida se fechou e no sentimento de me conectar a novas energias, retomo hoje esse blog. Que seja um espaço de muita alegria e o compartilhar de coisas boas 💓


11.3.18


Recentemente eu voltei a assistir um dos meus programas favoritos da adolescência: project runway. Na 7ª temporada, Emilio Sosa cria uma coleção chamada "color me bad", que além de de muitas cores, trouxe tonalidades vibrantes que me inspiraram nessa composição.



Já faz um bom tempo que basicamente visto preto e branco e de repente colocar cores na vida tem sido terapêutico. O verão sempre é minha época favorita para isso, porque gosto muito das cores vibrantes como pink, verde limão ou mesmo amarelo sol! Sei que pode parecer estranho para quem gosta de uma composição mais básica ir de repente, direto para cores tão fortes, mas é meu jeitinho e gosto de mesclar esses dois extremos. Acho que fica equilibrado.



Outra grande inspiração para essa composição foi a Elsie. Sempre gostei de como ela mescla cores vivas com estampas, criando looks completamente divertidos. Eu me identifico super com esse estilo e sempre que posso, busco incorporar no dia a dia 😊

Queria deixar registrada essa composição com cores tão rara por aqui 💓

24.1.18

Esse fim de semana foi aniversário do Bruno e decidimos comemorar conhecendo o Pirajá, um bar que foi recomendado como um dos melhores lugares para tomar um bom chopp ou uma ótima caipirinha em São Paulo. O Bar fica na região de Pinheiros e tem um delicioso clima tropical, por isso foi a pedida certa para o Verão (mesmo que o Bruno não seja o maior fã da estação).

Logo que chegamos no bar percebermos que ele tinha um estilo carioca, do tipo que se refletia nos mínimos detalhes: desde o revestimento de parede imitando a orla de Copacabana, aos pratos que traziam várias referências da Cidade maravilhosa. O fato mais memorável sobre o Pirajá é o jogo de cintura que você deve ter para conseguir uma mesa, pois o ambiente é tão descontraído, informal e cheio de animação, que você pode se sentir constrangido se não tiver uma postura mais maleável e expansiva. É uma perfeita homenagem aos nossos amigos do Rio de Janeiro que tanto tem a nos ensinar sobre realmente relaxar e curtir a vida, mas preciso confessar que mesmo apreciando toda essa espontaneidade, foi um pouco difícil entrar no clima e se sentir confortável no espaço.

Sobre as bebidas, pedimos uma caipiroska de lima da pérsia ($35) e duas opções de chopps da casa  ($9,50 - $13,50). Eu tomei a caipiroska que estava bem equilibrada e o Bruno foi de Chopp. Na minha opinião, a bebida vale o investimento, porque a combinação da força da vodka com a suavidade da lima da Pérsia só pode se dar de forma satisfatória quando se sabe o ponto certo da mistura e nesse caso, eu diria que eles acertaram em cheio. Um drink leve e refrescante, mas forte o suficiente para te dar aquela relaxada. Quanto ao Bruno, a opinião dele é que o chopp artesanal vale para quem tem um gosto mais apurado, mas o Paulista ganha pela perfeita combinação entre o tradicional chopp claro com a espuma do escuro.




Além das bebidas, optamos por pedir alguns petiscos. O cardápio não é tão variado, então a escolha não foi tão difícil, optamos por escolhas mais leves devido ao calor que estava fazendo no dia.


Na foto acima, um dos nossos pedidos: "miss saigon" ($28) uma espécie de tempurá com massa de cerveja que por dentro trazia um enroladinho de couve com carne de porco.



Outro de nossos pedidos: "do leme ao pontal" ($34) um mix dos petiscos da casa, croquete de costela, bolinho de carne seca com abóbora e bolinho de arroz com recheio de camarão. Esse em particular estava divino, cada bolinho tinha um sabor ímpar e até valia um segundo pedido.

 

Sem sombras de dúvida, foi uma tarde gostosa e bem atípica para nós. Não somos exatamente os maiores fãs do tipo de bar que tem na região de pinheiros/vila madalena, mas achamos que pela recomendação valia a visita. Com certeza não nos arrependemos a comida é saborosa e as bebidas são primorosas. Não sei se voltaríamos lá, mas com certeza indicamos, porque é o tipo de experiência que tem que viver para saber.

Prazer, Jess! Depois de tantos blogs, registrar e compartilhar se tornou parte da minha forma de ver o mundo, por isso mantenho o hábito de escrever em diferentes urls por aí. Atualmente vivo em São paulo, Brasil e estou sempre em busca do que possa me inspirar.

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