28.8.18

Faz um pouco mais que uma semana que voltamos da nossa trip na Itália e há tanto para ser dito que as palavras até se interpolam enquanto eu escrevo esse post. São tantas emoções e memórias que ressignifica-las através de um texto em um blog se apresenta enquanto um desafio altamente provocador, me instigando a encontrar a expressão exata que representa todo o conjunto de sentimentos que envolveram essa minha primeira experiência internacional. E como o objetivo de regressar com esse blog é justamente aceitar o desafio de registrar as vivências cotidianas com palavras, começo hoje essa série de postagens sobre nossa trip de 8 dias pela Itália, incluindo um roteiro de 5 cidades e o desafio minimalista que foi viajar por boa parte do percurso com apenas uma mochila nas costas.

Então gostaria de começar dizendo que essa foi minha primeira viagem internacional e também a primeira vez que entrei em um avião. Acerca disso, acho importante ressaltar o quanto acho engraçado pensar em como uma coisa tão inacessível até tempos atrás é para a nossa geração uma experiência quase universal. Ignorando um pouco o contexto ~classe média sofre~ sempre me senti meio marginalizada por nunca ter tido essa experiência, porém hoje vejo que na verdade sou grande privilegiada por ter essa oportunidade no auge dos meus 27 anos. É uma questão de perspectiva. Voar foi algo que me fez refletir muito sobre perspectiva e sobre como nosso universo cotidiano pode nos parecer muito grande, mas que na realidade, visto do alto, é minúsculo e até insignificante. Tudo lá no alto perde uma certa importância e a gente meio que percebe que damos muita importância para um espaço tão pequeno de terra. No demais, viajar é realmente delicioso. O contato com uma outra cultura, uma outra língua, é fascinante. Para mim serviu de forma muito impactante como um intercâmbio de perspectivas político-sociais, das quais eu nem esperava. Foi algo tão forte e determinante que as raízes disso ainda estão sendo maturadas para que em breve possam dar frutos. Sinto que voltei uma pessoa melhor, determinada a me engajar com muitas coisas da minha realidade e convidada a sair de uma estagnação profunda que estava vivenciando nos últimos anos.

Na verdade, sobre essa quebra de paradigmas, sinto que desenvolvi realmente um novo olhar sobre o mundo. Para uma pessimista convicta como eu é estranho pensar que estou vivendo uma fase meio Poliana. A vida tem me parecido divertidamente desafiadora e tudo ganhou um tempero resolutivo delicioso. É como se as coisas que antes me causavam vontade de sentar em frente a TV e desligar da realidade fossem o motivo da minha existência no aqui e agora. E é um grande clichê né? Como se de repente eu tivesse mesmo que ir para fora para apenas descobrir que tudo que eu preciso está aqui dentro da minha realidade.

Viajar é mais do que a visão de pontos turísticos, é a mudança que acontece, profunda e permanentemente, no conceito sobre o que é a vida.
- Miriam Beard


Com isso eu dou um fechamento para esse primeiro post chegando no ponto que vai dar um tom para os meus relatos sobre a Itália. Que ela é maravilhosa, creio que ninguém tem a menor dúvida. Mas o que eu realmente queria compartilhar com vocês é um pouco dessa transformação profunda que eu vivi ao cruzar esse oceano, que me fez enxergar a vida com mais propósito e me fez voltar para o Brasil com um senso de pertencimento tão grande. Já diria Quintana, "viajar é trocar a roupa da alma", então fico com essa conclusão que a minha roupa estava mesmo precisando ser trocada e que bom, que agora estou limpinha e cheirosa.

19.8.18

Que saudade de escrever, que saudade de postar. Nos últimos meses eu refleti muito sobre o papel dos blogs na minha vida e cheguei a cogitar não mais ter esse espaço. Mas depois de tantos anos, esse hábito é tão forte que achou um jeito de encontrar seu lugar. E aqui estou eu, mais uma vez, mais um blog e meia dúzia de palavras que gostaria de registrar.

Assim como fotos. Sem muito propósito. Fotos bonitas, ideias legais, experiências... Como esse dia em que coloquei pela primeira vez esse sapatinho que achei em um brechó. Tão gostoso, tão estiloso. Eu tenho ido bastante à brechós. Tenho visitado bastante São Paulo. tenho cozinhado mais, vivido mais. Fui até para Itália. É eu acho que um certo ciclo da minha vida se fechou e no sentimento de me conectar a novas energias, retomo hoje esse blog. Que seja um espaço de muita alegria e o compartilhar de coisas boas 💓


Prazer, Jess! Depois de tantos blogs, registrar e compartilhar se tornou parte da minha forma de ver o mundo, por isso mantenho o hábito de escrever em diferentes urls por aí. Atualmente vivo em São paulo, Brasil e estou sempre em busca do que possa me inspirar.

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